A membrana epirretiniana se apresenta como uma camada fina de tecido cicatricial, que cresce sobre a superfície da retina, com alterações na mácula, podendo prejudicar — principalmente — a visão central. É importante destacar que a mácula é uma área bem pequena dos nossos olhos, que fica no centro da retina (fundo do olho).

A mácula mede de um a dois milímetros, e nela encontramos as mesmas células dos olhos das águias. Essas células são denominadas de cones, cuja função é permitir que a gente enxergue os detalhes.

Dessa forma, além de provocar o embaçamento na visão, a membrana epirretiniana também pode causar percepção de distorções nas imagens (metamorfopsia). Assim, linhas retas podem parecer curvas ou enrugadas. 

Nesse sentido, o surgimento da doença geralmente ocorre após o descolamento do vítreo posterior. Durante esse processo, há a formação de uma fina camada de cicatricial na superfície interna.

Sintomas da doença

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Grande parte dos pacientes com membrana epirretiniana é assintomática, ou seja, sua visão é normal. Distorção (metamorfose) e visão turva são alguns dos principais sintomas.

O paciente também pode ter diplopia (visão dupla), o tamanho da imagem entre um olho e o outro é diferente, com uma certa sensação de fotofobia (aversão à luz) no olho afetado.

É importante ressaltar que o diagnóstico da doença só pode ocorrer mediante consulta com um médico oftalmologista de confiança. 

Para obter imagens mais detalhadas, o exame complementar que deve ser realizado é uma biomicroscopia de fundo (três espelhos) para rastrear toda a periferia da retina, devido ao aparecimento frequente de rupturas na retina circundante, que podem causar descolamento de retina se não for tratado.

Além disso, a angiografia retinal com fluoresceína pode avaliar a presença e a extensão do edema macular que geralmente está associado à doença devido ao aumento da curvatura e correção vascular. 

Com imagens de alta resolução, a OCT (Optical Coherence Tomography, ou Tomografia de Coerência Óptica) permite um estudo mais detalhado da espessura do filme e da adesão à superfície macular. Outros sintomas também podem incluir:

  • Redução da visão central;
  • Macropsia: enxergar os objetos maiores do que realmente são;
  • Fotopsia: visão de fagulhas ou pequenos raios.

Para ter certeza sobre qual o tratamento mais adequado para o seu caso, é necessário consultar um médico. Ao menor sinal de desconforto ou irritação, não hesite em procurar o profissional da área mais próxima.

Exercícios que ajudam a tratar a membrana epirretiniana

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Abaixo estão minhas sugestões de alguns exercícios básicos para auxiliar no tratamento  deste problema visual de membrana epirretiniana. São exercícios iniciais para a melhora da visão, principalmente central.

Atenção: nenhum dos exercícios citados têm o objetivo de substituir um tratamento médico convencional. Logo, devem ser feitos como auxiliares na recuperação.

Palming

Cobrir os olhos com as mãos (palming) para descanso total da visão é uma das melhores maneiras para relaxar os olhos, e descansar completamente o nervo óptico.

Encontre uma posição confortável (geralmente sentado, com os cotovelos apoiados em uma mesa, ou superfície), friccione as mãos juntas para aquecê-las, feche os olhos, e cubra-os com as palmas das mãos em formato de concha (cuidado para não tocar em cima do globo ocular, mas sim ao redor dele).

A ideia é impedir ao máximo a entrada de luz, relaxar e respirar profundamente, sem exercer pressão sobre os olhos. Repita de 3 a 4 vezes ao dia por no mínimo 6 minutos de cada vez.

Sunning (ou ensolar)

O exercício de sunning, que é realizado de olhos fechados, pode ser feito em qualquer hora do dia, apesar de muitas pessoas referirem o sol do início da manhã e do fim da tarde como seus preferidos.

Particularmente, gosto de praticar o ensolar por 5 minutos e intercalar com o palming por 3 minutos, e depois retomar 5 minutos de sol, e assim por diante. Geralmente, pratico e recomendo 3 vezes esta sequência de sol e palming por dia para quem deseja melhorar sua visão. 

Entretanto, se preferir, você pode fazer somente o ensolar por 15 a 20 minutos quando se lembrar do exercício, nas pausas do trabalho ou da escola.

Detalhes

Em vez de olhar para uma árvore, por exemplo, olhe para cada uma das partes que constituem visualmente a árvore. Em seguida, passe dos detalhes maiores para os menores de cada uma daquelas partes. Lembre-se de piscar, respirar e olhar com olhos “suaves”.

Fique apenas olhando, movimentando constantemente os olhos de um ponto a outro, e depois feche os olhos, lembre-se de cada detalhe que conseguir e forme uma imagem deles em forte contraste e muita clareza. 

Abra os olhos e olhe novamente para os detalhes. Feche os olhos, imagine novamente a imagem, abra-os de novo e procure novos detalhes.

Depois de algum tempo, você será capaz de observar distinções entre cada um dos detalhes. Eles tornam-se progressivamente mais evidentes. Seus olhos ficarão mais ágeis e rápidos para captar a imagem e os detalhes.

Balanço longo

Fique em pé, com as pernas bem separadas, e um dos braços estendidos. Coloque seu indicador a 60 cm de seu rosto, alinhado com seu nariz, e olhe para a unha desse dedo, focalize-a. 

Mova seu braço e seu tronco para a esquerda e para a direita, fazendo um balanço, sem deixar de focalizar a unha, siga-a com os olhos. Mova a cabeça de modo que seu nariz sempre esteja em direção ao seu dedo.

Perceba que quando você focaliza o dedo ao mesmo tempo em que balança seu braço e seu corpo de um lado para o outro, tudo ao seu redor se movimenta na direção oposta. Pisque e não perca o foco, mesmo em movimento.

Depois de 1 min, ou quando cansar troque o braço que está estendido, e faça a mesmo exercício utilizando o outro braço. Movimente seu tronco de maneira relaxada e nunca deixe de piscar. 3 minutinhos algumas vezes ao dia, ajudará a melhorar seu foco e a sensação de movimento enquanto você olha!

Abaixo, recomendo o vídeo onde ensino outra técnica que pode ser bastante favorável para os mais diversos tipos de pacientes. Vale a pena dar uma conferida! 

Exercícios não substituem tratamento médico

É importante ressaltar que os exercícios citados ao longo do texto não têm o poder de substituir o tratamento convencional indicado por um médico oftalmologista. 

Por cada caso ser único, apenas através de uma consulta com o profissional da área pode se obter um diagnóstico preciso. Os treinos visuais servem, portanto, como um complemento às indicações feitas pelo médico.

Com a permissão do oftalmologista, sua recuperação pode ser muito facilitada com disciplina e comprometimento na execução das atividades. Em caso de dúvidas ou desconforto, procure o consultório mais próximo.

Leia também: Diplopia ou Visão Dupla: conceitos e tratamento.